Testes FAT e SAT – o que são, para que servem e quais as diferenças

Abr 1, 2021 | Agenda

Testes FAT e SAT

A automatização de processos está altamente dependente de testes que são feitos à priori para garantir um funcionamento eficaz e isento de falhas – os chamados testes FAT e SAT. Especialmente no que diz respeito a produtos e serviços que servem, de forma mais ou menos directa, o dia a dia de todos nós, é essencial garantir a sua segurança e produtividade.

A instrumentação e os processos de abastecimento de áreas tecnológicas como o fornecimento de electricidade, fibra óptica ou outras redes industriais, estão replectos de sistemas e subsistemas que são invisíveis ao olho do consumidor final, mas que estão assentes em diferentes hardwares e softwares que devem funcionar como um só. Para isso, é necessário que cada um funcione na perfeição e contribua para a automação de todo o processo.

Quantas vezes, no decorrer de uma falha de internet em casa ou no escritório, contactamos a respectiva operadora e percebemos que o problema está relacionado com uma etapa de fornecimento que nem fazíamos ideia que existia para fazer este serviço chegar até nós?

É precisamente por isso, para que tudo corra da melhor forma no consumidor final e para que o processo seja o mais uniforme possível, que são cruciais os testes iniciais de softwares e hardwares por parte dos fornecedores ou responsáveis de verificação.

Testagem

Há dois tipos de procedimentos para proceder aos designados testes de aprovação: os testes em fábrica e os testes no local, respetivamente os testes FAT e SAT.

No caso dos primeiros, ou seja, dos testes de aceitação em fábrica, frequentemente denominados como FAT – Factory Acceptance Test – o objectivo é o de verificar que o sistema é configurado de forma correcta e que, tanto o hardware como o software, vão operar como expectável antes de serem expedidos para o local operacional.

Estes são realizados no local de fabrico do vendedor ou fornecedor, de modo a garantir que preenchem os requisitos necessários, uma vez que os fornecedores destes sistemas conhecem os seus produtos melhor que ninguém.

Já o objectivo dos testes de aceitação no local, denominados como SAT – Site Acceptance Test – é o de validar que o controlo e a segurança dos sistemas é totalmente operacional, de acordo com as suas especificações funcionais, antes de serem postas em práticas. São, por isso, realizados no local de suposta de execução e a sua aceitação conduz à iniciação da planta. 

Vamos entrar mais em pormenor em cada um deste tipo de testes e perceber o que lhe está subjacente.

Teste FAT OU de Aceitação de Fábrica

O objectivo principal dos denominados FAT – Factory Acceptance Test – está relacionado com a minimização da ocorrência de falhas durante o processo de comissionamento. Apresenta uma relação de custo-benefício eficaz e positiva para corrigir erros enquanto se testa o sistema. A este processo estão inerentes ciclos de verificação que podem economizar de forma considerável o tempo e o esforço durante o comissionamento e a inicialização no local da planta.

Estes ciclos são frequentemente denominados por Loop-Check e têm como objectivo localizar e identificar deficiências em diferentes interfaces. Isto inclui problemas com cabos e / ou fios, problemas de engenharia, de instalação mecânica, entre muitas outras, embora não seja o foco de um Loop Check corrigir as deficiências encontradas. 

A informação completa relativa a estas falhas ou deficiências devem ser resumidas e enviadas a quem está responsável e capacitado para as resolver, mas também podem ocorrer correcções pontuais imediatas. Mais informação sobre os básicos de um Loop-Checks, pode ser encontrada aqui.

Voltando ao objectivo dos FAT, importa ainda referir que aqui se inclui o de certificar que o sistema funciona de acordo com os requisitos tanto do fornecedor, como do utilizador final.

Caso sejam identificadas alterações durante os FAT, estas devem ser feitas antes de se proceder à sua instalação ou comissionamento. Poderá ainda aqui ter lugar uma fase anterior de testes que diz respeito ao chamado pré-comissionamento, ou seja, uma etapa cujo objectivo é fornecer uma verificação de sistema uniforme, inspeccionar, testar, documentar e preparar o mesmo para a operação principal. Aqui fica uma checklist que serve o pré-comissionamento de um sistema de controlo de válvulas, a título de exemplo.

Os FAT são uma excelente oportunidade para demonstrar a eficácia e qualidade do sistema e são também importantes para o utilizador final no sentido em que é a sua oportunidade de garantir a segurança em relação aos pontos críticos de um sistema antes de dar início à sua instalação.

É evidente que, à medida que os sistemas ganham complexidade, os FAT também se tornam cada vez mais relevantes, mas, se o fornecedor de sistema provisionar a correcta preparação e correr os testes iniciais, há poucos motivos para que um sistema falhe num FAT.

TESTES SAT OU DE ACEITAÇÃO NO LOCAL

Por outro lado, um SAT – Site Acceptance Test – trata-se de uma série de testes que variam desde a verificação de que todo o equipamento de controlo chegou em condições próprias de operacionalização conforme especificado na ordem de compra, até à validação da correcta funcionalidade do sistema instalado durante a inicialização da unidade de processamento.

Um dos objectivos do SAT, depois um FAT bem-sucedido (ou seja, depois da aceitação em fábrica), é o de providenciar provas documentadas de que o equipamento ou sistema que foi entregue no local do utilizador final, não foi danificado no processo de transporte ou instalação.

Os procedimentos SAT também servem para verificar em pormenor os detalhes da compra e comparar o que foi recebido com aquilo que foi efectivamente solicitado. Isto é feito não só através da verificação visual, dos testes de funcionalidade e de performance do sistema, mas também devem incluir a verificação da clareza, precisão e completude da documentação.

Os documentos SAT servem de guias para a consequente manutenção, testes de performance e resolução de problemas. Estes testes não devem ser realizados apenas de início, sob pena de perder a sua confiabilidade. A testagem regular e a manutenção preventiva de instrumentos e funções críticas dos sistemas permitem poupar na substituição total de componentes.

Execução do seus FATs ou SATs

Apesar de nenhum processo ser totalmente infalível, estes testes, quando bem conduzidos e implementados, ajudam a reduzir drasticamente as falhas do produto ou serviço final. Quando as há – e ficam aqui um guia das falhas mais comuns dos componentes de circuitos a título de exemplo – devem ser resolvidas de forma ágil pelos técnicos competentes. Qualquer que seja o seu sector ou indústria, validar e testar é crucial e não deve saltar essa fase, ainda que possa ser complexa.

A Plexus aplica estas boas práticas nos sistemas que fornece, auxiliando nas diversas etapas de acordo com as necessidades do seu produto ou serviço. Para mais informação, entre em contacto connosco aqui.